Como Projetar Banheiros com acessibilidade para pessoas com deficiência física e idosos

O banheiro necessita atender às diferentes características das pessoas que vão utilizá-lo e isso deve ocorrer de uma forma segura e independente. O termo que define um projeto que atenda ao maior número de pessoas possíveis é o Desenho Universal, e requer considerar as habilidades ou dificuldades de utilização de um espaço pelas pessoas ao longo de toda a vida.

Considera-se, em nossa sociedade, que a privacidade seja um fator preponderante para que as funções orgânicas e de higiene pessoal possam ser efetuadas adequadamente, sendo que somente entre as crianças ainda pequenas a falta de privacidade não representa um problema. O usuário portador de deficiência não consegue, muitas vezes, entrar no ambiente em que esteja localizada a bacia sanitária, pias e chuveiro devido a dimensões inadequadas, portas com vãos estreitos e peças e metais sanitários dispostos de uma forma inacessível para uma pessoa com mobilidade reduzida.

O impacto social e psicológico que pode causar a esse usuário é grande, desestimulando a saída para outros ambientes que não podem ser utilizados com privacidade sem a ajuda de terceiros e muitas vezes tendo na própria residência a necessidade de auxílio devido às características inadequadas dos equipamentos e do ambiente. Hoje, diz-se que uma proposta arquitetônica cria ou suprime uma deficiência.

Pesquisas recentes em APO (Avaliação Pós-Ocupação) têm apontado que, apesar dos avanços em termos de normalização, legislação e interesse, ainda que isolados, de algumas escolas de arquitetura, o atendimento aos quesitos básicos de acessibilidade ou do Desenho Universal está ainda longe da incorporação cotidiana nas atividades de projetos executivos. Além disso, há casos em que se verifica uma interpretação equivocada da NBR 9050/94 resultando em projetos que, por vezes, oferecem mais barreiras que acessos.

Assim, pelas razões já expostas, o banheiro de uso residencial ou situado em espaços de uso coletivo e tal como ocorre há muitas décadas nos países desenvolvidos é um dos ambientes internos da edificação que tanto para pessoas com dificuldades permanentes quanto para aquelas com dificuldades temporárias deve ser simplesmente acessível. Daí ter procurado destacá-lo como exemplo prático neste artigo.

Por que executar um projeto detalhado de acessibilidade?
Detalhes que muitas vezes são imperceptíveis para uma pessoa que utiliza um espaço sem ter alguma dificuldade de locomoção podem se tornar impeditivos se essa pessoa estiver utilizando bengala, cadeira de rodas ou alguma prótese. Imagine uma pessoa sentada em um vaso sanitário sem poder alcançar o papel higiênico, nem levantar-se para pegá-lo. Isso ocorre inúmeras vezes, não por um desrespeito às pessoas com alguma dificuldade de locomoção, mas por falta de detalhamento no projeto e critérios na execução.

Outra necessidade é o planejamento prévio para execução da obra em locais cujos parâmetros de acessibilidade devam ser respeitados. Caso o projeto preveja paredes de gesso acartonado, é necessário deixar reforços internos, nos locais onde serão fixadas barras de apoio e transferência, para suportar o peso de uma pessoa. A localização e altura dos pontos hidráulicos e elétricos devem ser adequadas para que não se torne necessário quebrar as paredes para uma reforma posterior. A drenagem deve ser projetada para que um desnível máximo de 0,015 m (chanfrado a 45o) entre o piso do boxe do chuveiro e o restante do piso do banheiro seja suficiente. Isso reduz o risco de alguém escorregar e cair no piso molhado do boxe.

Assim sendo, serão elencados os critérios que devem ser adotados no desenvolvimento de um projeto e posterior construção de um banheiro para que atenda às necessidades de um maior número de pessoas possíveis, segundo o conceito do Desenho Universal.

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